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Chaves - Uma lição de vida!

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19.3.11

Chaves: uma lição de vida - Final!!

   Até que, enfim, chegamos a análise final, saga do seriado "Chaves" com muitas revelações. Para quem não acompanhou clique aqui e leia desde o inicio. Neste ultimo post trataremos de alguns personagens adultos e do personagem principal da série, confira:


   Dona Clotilde. Uma Senhora (“senhorita!”) desprovida de beleza que mora na casa 71. A criançada morre de medo dela por conta do seu jeito ranhenta e pelas coincidências que acontecem, então ganhou das crianças o apelido de “bruxa do 71” (só uma bruxa mesmo poria ser apaixonada por seu Madruga, :P). Sempre com seu vestido azul, ela uma pessoa dedicada aos afazeres, muito prendada e solitária. Costuma ser grosseira e mal humorada com as crianças por conta do apelido que lhe deram.
      Porém, seu mau humor e grosseria é uma mascara para a mulher gentil e amorosa que é de verdade, que necessita de respeito e carinho e que busca alguém que lhe faça feliz. Pela má aparência física e pela boa índole, dona Clotilde representa o ditado “quem vê cara não vê coração”, mensagem essa passada também no desenho A bela e a Fera. Se julgarmos pelas cores de sua roupa (e peruca), sempre azul, e sua personalidade temos em Clotilde uma ligação simbólica com o Conservadorismo. Bom analisar também que ela é um outro exemplo de humildade, visto que possui a mesma condição financeira de dona Florinda porém não se considera superior aos outros da vila. A velha possui também uma ligação com oculta com chaves e a dica sobre isso é o número de seu apartamento 71 – 7+1 = 8, isso se dá porque ela representa a solidão que chaves também enfrenta. E ahh, só como curiosidade, ironicamente a atriz Angelines, que interpreta a personagem, faleceu aos 71 anos em 1994.

     Girafales é um modesto professor de escola primária. Seu nome é referência ao animal comprido, pois ele mede 1,95 m de altura. Comporta-se como cavalheiro, é elegante, culto, educado e romântico embora um tanto durão e prepotente. O Professor adora ensinar e, pelo cargo que ocupa, se mantém na posição do redentor da verdade. É o Educador do futuro da pátria, mas sempre se enfurece com a confusão das crianças, distribuindo castigos, impondo limites e expulsando alguns da sala de aula. As pessoas desconfiam de sua sanidade mental às vezes e sempre ele é ridicularizado pelas crianças que o apelidaram de “professor lingüiça”.
    Vemos no Professor grandes valores, porém é fato que ele “enrola” Dna Florinda, mas porque? Lembram do primeiro post onde falei de Dona Florinda, que a mesma representa a “Ordem”? Vamos analisar os fatos sociais: a Ordem funcionaría muito melhor se todos os cidadãos tivessem o Conhecimento desenvolvido por sua faculdade Intelectual (essa também é a explicação do por que dona Florinda muda de personalidade quando vê Girafales – lembrando que o encontro dos dois é também uma sátira ás novelas ou filmes de “melosidade” ou “dramalhões” – principalmente os mexicanos, reparem que sempre o texto é o mesmo e a trilha sonora é do clássico “E o vento levou”!), mas sabemos que isso não acontece pois existe uma falta de responsabilidade (a mesma responsabilidade que Girafales não quer ter com Florinda, pois nunca assumiu algo sério com ela) em nosso sistema de educação que é limitado, onde muitos ainda estão fora da sala de aula (foram expulsos?). Esse personagem expressa bem o “Orgulho intelectual” e/ou o Superego – lembram das frases “Enquanto tiverem os livros nas mãos, serão pessoas honradas, serão gente de bem, em outras palavras, serão como eu” ou “Eu jamais me engano, só me enganei quando pensei que estava enganado”. É curioso que sempre o prof. Girafales de como presente a Florinda somente flores (lembrando ainda que o nome dela é FLORinda), até o Quico uma vez disse: “toda vez é sempre flores! Não pode trocar? Dar uma jóia cara, um colar de diamantes ou um carro importado?”. É engraçado como as idéias sempre são parecidas, então para entenderem um pouco vou citar uma referência muito boa que é de autoria do cantor Geraldo Vandré: “pra não dizer que não falei das flores” com ênfase na frase “...e acreditam nas flores vencendo o canhão...”. Provavelmente a música não tem nenhuma ligação com o seriado, porém a idéia é a mesma.

    Sr. Barriga, o dono da vila, é também o cobrador de aluguel (e é assim que aparece em grande maioria dos episódios). Faz pose de durão, mas na verdade ele é um bonachão, receptivo, amigo, prestativo, risonho e simpático. Podemos dizer que também é cheio de compaixão pois sempre é recebido na vila com pancadas de chaves e mesmo perdendo a paciência ele gosta do menino, também com seu Madruga por nunca despejá-lo da casa.
Seu nome [engraçado] que da referência a uma parte do seu corpo é um símbolo do capitalismo selvagem, porém Sr. Barriga é um representante irreal de um valor utópico porque, como já disse e repito: existe nele compaixão e ele ainda é uma representação de solidariedade. Ele encarna assim o bom coração pois jamais tem a coragem de expulsar o inquilino inadimplente (mesmo quando chegou a fazer ameaças ele se compadeceu e voltou atrás na decisão).
     O seriado nos dá dicas da verdadeira profissão do Barriga, em um episódio (“A catapora de Chiquinha”) ele diz a seu Madruga que vai examinar a Chiquinha, por já ter exercido a profissão de médico. Na vida real o ator Edgar Vivar também é formado em medicina e exercia a profissão antes de ser chamado para o programa. Analisando socialmente a idéia de médico é sim uma boa representação do personagem também! Todas as característica do Sr. Barriga são as mesmas dos profissionais da saúde (ênfase em compaixão e prestatividade). A falta de coragem do cara para expulsar o inquilino inadimplente também pode ser um símbolo, pois o sistema de saúde deve (perante a lei) se estender a todos – citei a “lei” porque no episódio em que Sr. Barriga quer despejar seu Madruga da casa é justo a Dona Florinda que intercede por Madruga. Também temos que lembrar que Barriga sempre leva “pancadas” ao chegar na vila que, muitas vezes, o faz perder os sentidos mas ele sempre tem compaixão e continua gostando da criança que o fere pois sabe que não é algo proposital – creio que é assim também que acontece com os profissionais da saúde, quando chega lá um paciente todo arrebentado por que estava fazendo algo de errado eles devem perder a paciência com o fato, é quase como receber uma “pancada” pela falta de atenção ou responsabilidade do paciente, ex: “histórico do paciente: tentou pular o muro e quebrou o queixo”, qualquer um logo pensa “por que esse idiota foi pular o muro?”... Enfim, o profissional da saúde cuida do paciente do mesmo jeito pois, assim como o personagem, possui a idéia que o Ser Humano é a maior riqueza.

   Jaiminho, o carteiro, é um senhorzinho simplório que traz sempre um sorriso no rosto. É desajeitado e, mesmo não sabendo andar de bicicleta, sempre traz uma consigo para que não seja mandado embora do emprego. Tal personagem é o exemplo da Preguiça: nunca faz seu serviço e sempre pede para o destinatário pegar suas correspondências na mochila ou que entregue as outras cartas nas respectivas casas. A desculpa é sempre a mesma: “tenho que evitar a fadiga”.

    Chaves é o personagem principal do seriado. Um menino órfão de pai e mãe, com 8 (olha o número ai de novo) anos, que aparece na vila de estomago vazio. Inocente, meio tonto, genioso, bondoso, sensível, leal, sonhador, companheiro e esfomeado (rs). Apronta várias confusões “sem querer querendo”. Diz que mora na casa 8 (opa, não é por acaso, lembra do nome original do seriado: “o menino do oito”?) mas sempre que alguém decide perguntar com quem ele mora ou qual seu verdadeiro nome alguma coisa interrompe a conversa e o mistério permanece. Em um livro chamado “O diário de chaves” o autor Bolaños (o cara que interpreta o Chaves e também o diretor do programa) conta que Chaves morava em um orfanato, saiu, teve contato com alguns meninos de rua e andava pela cidade, mas começou a chover muito, foi quando entrou na vila e foi acolhido por uma senhora que vivia em uma das casas, porém essa senhora faleceu e o menino passou a viver em um barril e se tornou o xodó de todos da vila. Sem casa para morar, sem ter o que comer, sua riqueza material se resume em duas bolas de gude que guarda no bolso de traz da calça. Sua falta de alimentação e sua falta de atenção o impedem de ser um bom aluno. É também muito atrapalhado e vive se queixando “ninguém tem paciência comigo...”. Vira e meche Chaves se assusta e tem um piripaque. Quando alguém o chama para brincar ele fica todo afobado imaginando como será a brincadeira (zás, zás...!!) imaginação inclusive é uma de suas características mais marcantes.
     Chaves é, sem dúvida, a mais complexa representação do programa. Além de representar 650 milhões de crianças [de rua] ele é o retrato da Simplicidade! O autor deposita em Chaves toda uma filosofia de vida. O menino não tem brinquedos maravilhosos, não é nenhum gênio, não possui nada de material e mesmo assim vive Feliz. O signo da simplicidade é a receita do seriado, tanto na forma (na criação de cenários e tals) quanto no enredo. Chaves é o lado humano, contraditório (assim como esta análise é, como já disseram, rs), moral apresentado na série. Não é porque ele é o mais pobre que é o mais infeliz - é o contrário - tão pouco o menos amado! Ele passa fome todo dia mais é alimentado de sorrisos, imaginação e fantasia. A filosofia de Gandhi dizia que quando somos felizes, quando fazemos algo que nos deixa feliz com honestidade, produziremos meios de nos alimentar, assim não haveria fome. O menino deixa expresso que qualquer criança, em qualquer situação que esteja, tem direito a felicidade, pode ter amigos e ter uma infância repleta de brincadeira e risadas quando consegue transformar seu cotidiano por vontade própria – quem não adora ver as transformações dos objetos que Chaves usa para brincar: a vassoura que vira um brinquedo de equilíbrio; O recipiente de lata que vira um bilboquê; A caixa de sapato que vira caminhão; entre outros.
Apesar das fontes concluírem que o nome original do seriado “O menino do 8” ser atribuído pelo fato de que o programa foi primeiramente apresentado no canal 08 que depois foi incorporado pela a Televisa, concluímos [após essa lonnnga análise] que na verdade o “8” é um símbolo que designa a função do personagem. O “8” é uma representação do símbolo antiqüíssimo “∞” – infinito [ou lemniscata], que faz referência a "falta de fronteira" que é nada mais que a Felicidade. O número “8”, como ja demonstrei, aparece muitas vezes no seriado e atribui até ligações aos personagens. Uma observação clara é que Chavas é apaixonado por Patty, e chega até se corromper por conta dela, é uma demonstração de que a simplicidade pode se perder quando deseja a nobreza, o nome Patty é usado até hoje para determinar riqueza ( vem do termo “Patrícios” que em Roma significava “Nobre”).

Considerações Gerais:

Como eu já disse também, após analisar os personagens todos nos identificamos com suas características: Chiquinha = vaidade; Quico = necessidade de poder; Madruga = comodismo; Girafales = orgulho; Florinda = necessidade de ordem; Pópis = egoísmo; Clotilde = solidão; Barriga = compaixão; Jaiminho = preguiça e Chaves = simplicidade. O seriado faz alusão a vida harmônica entre pobres e ricos (estão na mesma escola, mesmas festas....), altos e baixos, gordos e magros e igualdade entre homens e mulheres - o que pode ser também o sentido simbólico do número 14 que, quando unido ao símbolo “∞" do infinito chegamos diretamente ao significado mistico de um Arcano Maior (no Tarot ou na Kabala ele é o n.° 14 e tem o sinal do infinito) que é o “equilibrio universal” da existência humana em si. O número 14 também é a ligação entre seu madruga (sua dívida) e Dona Florinda, faz todo o sentido se pensarmos pelo fato de que Florinda sendo a “Ordem ou a Lei” pode interceder (coisa que ela faz) para que ele permaneça morando no local (o artigo 25 dos direitos humanos é o “direito a moradia”).


E zefini minha gente! Espero que tenham gostado, que comentem e que acompanhem o blog. Toda a semana temos posts novos onde falaremos de filmes, desenhos, seriados, livros e programas, fiquem ligados!!

15.3.11

Chaves: Uma lição de vida - parte 02

Voltamos a nossa análise sobre o seriado humoristico Chaves, para quem ainda não leu clique aqui e leia a primeira parte. Neste segundo post vamos falar sobre as crianças da vila. Acabei não colocando alguns personagens secundários pois são relevantes a história, porém podemos gerar discussão sobre eles também, se aguém tiver afim é só comentar.

Chiquinha, a melhor amiga de Chaves, uma menina de oito anos, que diz o que vem na cabeça sem esconder sua opinião, é determinada e decidida. Podemos considerar que ela é a mais esperta das crianças da vila. Com sua lábia sempre faz os meninos e meninas de bobo e, vira e meche, ela tira o pirulito do Quico ou as balas de caramelo da Popis (fácil como roubar doce de criança, rs!). Apesar de pobre, Chiquinha é muito mimada e sempre pede dinheiro ao pai para ir até a venda da esquina, e o Pai (“Madruguinha linnndo meu amorr”) mesmo sempre não tendo - às vezes nem pra comer - acaba fazendo o gosto da filha. Ela nutre um amor platônico por Chaves e adora a Avó Dona Neves (com quem também se parece fisicamente e no jeito de ser). Possui uma personalidade dominadora e características feministas convicta.
      Assim sendo, Chiquinha parece representar a Vaidade! É fácil entender se analisarmos como seu Madruga (como já disse no post anterior representa “o povão”) sempre se rende a seus pedidos (pois também é sua filha, foi CRIADA por ele, pois sua esposa morreu no parto)... Da mesma forma nós, o “povão”, nos rendemos a vaidade, comprando coisas mesmo quando não podemos, não é mesmo? Mas se olharmos por outros ângulos também podemos comprovar isso: escrevi ali em cima “com sua lábia sempre faz os meninos de bobo” – Chiquinha usa de chantagens emocionais para conseguir as coisas dos outros, igualmente nossa vaidade nos afeta; “Nutre amor platônico por Chaves” – chave simbologica importante essa, serve até para reflexão pois todos nós desejamos uma “vida simples e de felicidade” prova disso são todas nossas [recentes ou não] filosofias de vida “carpe dien”, “sustentabilidade”, “permacultura” e muitas tantas outras... Ainda não posso esquecer da “personalidade dominadora e feminista” – muito característica da “vaidade”, tendo em vista que a mídia usa muito a mulher para expressar esse tipo de sentimento: mulher = vaidosa. (por que será que em lojas como a C&A, Pernambucanas, Renner, etc, o primeiro piso é só de roupas femininas???). A Vaidade respeita também as tradições, portanto a vó de chiquinha é um simbolo do respeito, visto que também a semelhança das duas é uma reflexão de que vaidade nunca muda, está presente na vida humana desde os prímórdios (Salomão em seu livro Eclesiastes já dizia!).Chiquinha também representa psicologicamente o “ID” – conjunto de energias que determina os desejos do sujeito – pelas características impulsivas.

   Quico, garoto que mora no apartamento 14 (perai, 14 também não é a quantidade de meses que seu madruga deve o aluguel??? falaremos disso maia a frente!), tem muitos brinquedos, adora causar inveja, é interesseiro e só compartilha algo com seus amigos se esses tem algo a oferecer. Quer estar sempre por cima e é comum o ver sair de sua casa sempre com a versão mais avançada de um brinquedo que Chaves está usando (lembrem-se desse fato, é importante mas só será explicado quando falarmos de Chaves) bem ao estilo “eu tenho e você não tem” . Não admite ser derrotado e até chega a negociar sua ascensão em troca de sanduiches de presunto. Quico sempre se prepara para realizar alguma ação colocando um pouco de saliva nos dedos e passando-as nas orelhas. Adora ganhar presentes de sua mãe e deseja que isso aconteça todos os dias.
Quico é, sem dúvida, a visão que o autor tinha das classes altas, a riqueza, que sempre adora esnobar da pobreza. Ele expressa muito bem isso, primeiro porque Quico é filho de Dona Florinda e isso é uma critica social pois, como já expliquei no post anterior, a mulher representa a Ordem ou a Lei, e Quico é filo dela, é o protegido. A riqueza (o capital se quiser chamar assim) age sempre por interesse, assim como o personagem, não admite perdas e negocia sempre uma forma para lucro. Analisando bem, o personagem também passa talvez um ensinamento com alusão que a riqueza depende de Planejamento “quico sempre se prepara para realizar alguma ação colocando um pouco de saliva nos dedos” e Pesquisa de mercado (ouvir o cliente) “e passando-as nas orelhas”. Ahh, eu já ia me esquecendo, é uma observação bem legal que o autor coloca também: todos lembram que sempre que Quico brinca com carrinhos ele faz questão de causar acidentes de trânsito fazendo até “trilha sonora” pra ação? Pois bem.. esse fato nem vou explicar, fica para reflexão [comentem]! :P

    Nhonho. Esse garoto é praticamente um personagem secundário pois não aparece com tanta freqüência como as outras crianças. É filho do Sr. Barriga. Muito aplicado no colégio mas não costuma se gabar por isso.
    Segundo a tradução de seu nome em espanhol “ñoño” significa “Inseguro/tímido/ingênuo e é exatamente isso que o personagem representa. Talvez até pelo fato de ele ser gordo é uma contribuição para a caracterização do personagem Nhonho. Porém encontro nele o contraponto de Quico: mesmo Nhonho sendo rico e inteligente (exatamente tudo que Quico quer) ele brinca com as outras crianças normalmente, sem querer aparecer. Nisso o autor mostra o outro lado da riqueza (a riqueza verdadeira) que é a humildade.

    Pópis é sobrinha de Dona Florinda, também é um tipo de personagem secundário que não aparece em todos os capítulos. Pópis é uma menina boba e briguenta. Normalmente ela não brinca com os outros para não se sujar, sempre esconde a “cola” da prova por debaixo da saia (sátira ao termo “debaixo dos panos” rs), ela sempre coloca a culpa dos acontecimentos ruins em sua boneca e quando sim lhe da umas palmadas (“Serafina que coisa feia, feia e feia”). Pópis se sente ameaçada sempre com poucas coisas e sempre é a primeira a acusar os outros (“eu vou contar tudo pra minha mãe” / “conta tudo pra sua mãe Quico”). Concluímos assim que Pópis é a representação do Egoísmo, ela não admite seus erros, mas é a primeira a atirar a pedra.

Mais uma vez, por conta da extensão e complexibilidade do assunto, estarei deixando o final para um próximo post! Clique no link abaixo e confira o final.

 
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12.3.11

Chaves: uma lição de vida - Parte 01

O Programa com o nome original “El Chavo del Ocho” ("O menino do oito" - guardem esse nome!), mais conhecido como  “Chaves” no Brasil, é uma série de televisão humorística de origem mexicana criada e estrelada por Roberto Gómez Bolaños, exibida no México entre 1970 á 1980 e no Brasil a partir de 1980.

Entendendo o Enredo:

A história gira em torno das aventuras de Chaves, um menino órfão humilde que mora dentro de um barril, e dos outros moradores de uma vila suburbana fictícia. Lá, ele deve conviver com os particulares moradores e vizinhos, com os quais sempre está envolvido em divertidas situações.

Mas por que a expressão “uma oculta lição de vida”?

Todos nós nos divertimos com o seriado, porém não se trata apenas de humor. Analisando: Por que retratar a vida de personagens “marginais” como: velhos, crianças, profissionais decadentes e malandros , ainda mais como personagem principal um menino órfão que passa fome e sequer tem um lar? Essa é a chave da mensagem que Bolaños tinha na cabeça: ele criou um cenário perfeito que retrata até hoje o cotidiano de muitos através de simbologias características, sociais e até numéricas.    
Analisando melhor os personagens notamos que todos nós nos identificamos com os aspectos da personalidade de alguns, ou talvez tenhamos até um pouco de todos. Vejamos:
Dona Florinda é uma viúva desgostosa da vida. Sabemos que ela é uma bela mulher, porém sempre se veste de forma ultrapassada, de um jeito que parece que se esqueceu de si mesma. Acha que é da alta sociedade e trata os vizinhos como “gentalha”, não perde a pose de granfina e sempre fala que um dia irá se mudar da vila. Ríspida, grosseira, age no grito e parte pra ignorância quando vê o filho choramingar sem saber a causa certa. É trabalhadora, e seu objetivo é manter a ORDEM.
      Dona Florinda é nada mais que o símbolo da Lei! Se você, leitor, não percebeu, releia novamente o parágrafo acima e compare com nosso regimento, não tem as mesmas características? A lei foi feita para proteger, para servir a todos, ser “bela”, entretanto como não é bem cuidada ou, quando seu “cabelo” demora muito tempo para ficar pronto, a lei – igual a dona Florinda – anda por ai “de Bobs”, é vista como “feia” e assim fica mal humorada e grosseira. Porém há controvérsia: quando Florinda vê o Prof. Girafales sua personalidade muda. Por que? Falaremos disso mais adiante.      


Seu Madruga é um homem simples, normalmente aparece vestido com sua básica camiseta preta, calça jeans surrada, tênis e seu chapéu. Nos primeiros capítulos originais era chamado de “Don Ramon”, pois é interpretado por Ramon Valdes  (da pra lembrar a famosa banda Ramones, reparem a semelhança nos trajes e características – : p.). Madruga é o típico cidadão que não concluiu a escola e tem pouca instrução.  Vive se queixando de que não possui oportunidades na vida, porém ele não procura emprego (foge disso mais que diabo foge da cruz), fica em casa vadiando e deixando passar as oportunidades que a vida lhe oferece. Quer mais que tudo na vida viver bem sem precisar trabalhar. Ao contrário de seu nome “Madruga” (que é até uma sátira o velho ditado “Deus ajuda quem cedo madruga”) ele gosta de acordar tarde. Vive com o aluguel atrasado e foge ou da desculpas ao cobrador. Apanha praticamente todos os dias de Dona Florinda (mesmo quando não tem culpa) e acaba se enraivecendo quando, além dos tapas, ainda é humilhado. É seduzido pelos dotes culinários de Dona Clotilde (bruxa do 71) porém foge da véia mais do que culpado quando vê a polícia. Tem um amor secreto pela vizinha Glória, tia de Paty.
        Seu Madruga representa a massa, o povão, mais especificadamente a parcela do povo que não cumpre com suas obrigações de cidadão: o devedor (que é uma grande parcela, rs)... Quem de nós não quer ganhar a vida sem ter que trabalhar?? ele representa também a “
Teoria X” desenvolvida por Douglas McGregor que diz que “o ser humano tem repulsa natural ao trabalho e evitará sempre que puder, assumir responsabilidades”- Está ai a chave da mensagem [oculta] moral deste personagem. Se pensarmos bem, Seu Madruga é o cara que não quer trabalhar, mas é o que mais tem trabalho na vila, ele já foi toureiro, lutador de boxe, sapateiro, carpinteiro, fotógrafo, entregador, vendedor, cabeleireiro, treinador, pedreiro, pintor, entre outras. E mesmo que sempre querendo dar lições de moral nas crianças, daquelas do tipo “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” o autor coloca em Seu Madruga a idéia de um exemplo (ou mau exemplo) para Chaves, posso dizer talvez um dos caminhos que ele pode seguir na vida,  visto que muitas vezes Madruga vê Chaves como um reflexo de sua infância e Chaves vê em Madruga a imagem de um pai.
      Assim como na vida real (novamente pensando no personagem como representante do povão) Madrugra que apanha de Florinda - que como já analisei acima representa a Lei - é como as massas prejudicadas [apanhando] das legislações vigentes que não dão nem tempo de defesa, principalmente a parcela do povo que possui débitos, que são mal vistos em todo local onde requer crédito, é mau vista pela lei sendo considerado “gentalha” e até é mau vista pela sua forma de vestir (quem é que nunca foi "discriminado' em uma loja ou shopping por estar vestido de forma simples?). Porém são pessoas que carregam tradição moral muito bonita, de educação, história, por isso sempre é citado a “Vovózinha” – “Seu madruga, sua vovozinha....?”, “E da próxima vez vá dar beliscões na sua vó”, é também uma chave simbologia social filosófica moralistica onde representa que o povo deve olhar para o seu passado, até mesmo a história de outras civilizações, lembrando de seu valor e para aprender com os erros. Como contei acima, uma  das fraquezas de Madruga é o estômago, bem clássico, pensei em dar um exemplo complexo da época da criação do seriado, mas acho que se eu lembrar das cestas básicas que são distribuídas em épocas de eleição todos já entenderam o recado.. rsrs. Ahh, todos lembram que Seu Madruga tem um amor pela vizinha “Glória” (o nome não é mera coincidência) tia de “Paty”, a mulher - como o nome já diz - representa grandeza, status, beleza, acima da riqueza, é tudo que ele sempre desejou, seu sonho de consumo.   

bom pessoal, para evitar uma leitura cansativa e para facilitar o entendimento da história que é complexa, estarei dividindo a análise em partes, para acompanhar clique no link abaixo e leia o próximo post.          
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Por Felipe Ramos