Pica-Pau

O Midia Secreta analisa o clássico de todos os tempos, desenho de Walter Lantz que até hoje cativa gente de toda idade, conheça as intenções por traz da história que ninguem nunca te contou!

O Big Brother

Já está no ar, o Mídia Secreta irá mostra a verdadeira intenção de um dos programas mais famosos e vistos no mundo!.

Chaves - Uma lição de vida!

Conheça os segredos da série do Menino do Oito!.

Filmes

Acompanhe o Mídia Secreta, em breve analisaremos os filmes mais conhecidos e polêmicos de todos os tempo.

Séries

Você é daqueles que acredita que nada é por acaso? pois é, nós também! então fique esperto e descobriremos juntos oque a midia tem tentado nos mostrar atravez dos seriados.

18.3.11

o Filme da vida.

"...Já me perguntei o porque de se realizar um filme... e, segundo um amigo, 'professor de melancolia', um filme deve ser feito quando surge a necessidade de transformar em imagens o que nos pesa no coração. Ainda que a maioria busque explicações para todos os quadros e todas as falas, aquilo que não se explica, aquilo que fica no ar, qua apenas precisava ser concretizado, é o que mais importa..."
Polly

Esse foi o melhor definição que encotrei sobre tudo que discutimos aqui!! Aproveito para convida-los a assistir os videos selecionados no blog (ao lado direito) tem tudo a ver.

15.3.11

Chaves: Uma lição de vida - parte 02

Voltamos a nossa análise sobre o seriado humoristico Chaves, para quem ainda não leu clique aqui e leia a primeira parte. Neste segundo post vamos falar sobre as crianças da vila. Acabei não colocando alguns personagens secundários pois são relevantes a história, porém podemos gerar discussão sobre eles também, se aguém tiver afim é só comentar.

Chiquinha, a melhor amiga de Chaves, uma menina de oito anos, que diz o que vem na cabeça sem esconder sua opinião, é determinada e decidida. Podemos considerar que ela é a mais esperta das crianças da vila. Com sua lábia sempre faz os meninos e meninas de bobo e, vira e meche, ela tira o pirulito do Quico ou as balas de caramelo da Popis (fácil como roubar doce de criança, rs!). Apesar de pobre, Chiquinha é muito mimada e sempre pede dinheiro ao pai para ir até a venda da esquina, e o Pai (“Madruguinha linnndo meu amorr”) mesmo sempre não tendo - às vezes nem pra comer - acaba fazendo o gosto da filha. Ela nutre um amor platônico por Chaves e adora a Avó Dona Neves (com quem também se parece fisicamente e no jeito de ser). Possui uma personalidade dominadora e características feministas convicta.
      Assim sendo, Chiquinha parece representar a Vaidade! É fácil entender se analisarmos como seu Madruga (como já disse no post anterior representa “o povão”) sempre se rende a seus pedidos (pois também é sua filha, foi CRIADA por ele, pois sua esposa morreu no parto)... Da mesma forma nós, o “povão”, nos rendemos a vaidade, comprando coisas mesmo quando não podemos, não é mesmo? Mas se olharmos por outros ângulos também podemos comprovar isso: escrevi ali em cima “com sua lábia sempre faz os meninos de bobo” – Chiquinha usa de chantagens emocionais para conseguir as coisas dos outros, igualmente nossa vaidade nos afeta; “Nutre amor platônico por Chaves” – chave simbologica importante essa, serve até para reflexão pois todos nós desejamos uma “vida simples e de felicidade” prova disso são todas nossas [recentes ou não] filosofias de vida “carpe dien”, “sustentabilidade”, “permacultura” e muitas tantas outras... Ainda não posso esquecer da “personalidade dominadora e feminista” – muito característica da “vaidade”, tendo em vista que a mídia usa muito a mulher para expressar esse tipo de sentimento: mulher = vaidosa. (por que será que em lojas como a C&A, Pernambucanas, Renner, etc, o primeiro piso é só de roupas femininas???). A Vaidade respeita também as tradições, portanto a vó de chiquinha é um simbolo do respeito, visto que também a semelhança das duas é uma reflexão de que vaidade nunca muda, está presente na vida humana desde os prímórdios (Salomão em seu livro Eclesiastes já dizia!).Chiquinha também representa psicologicamente o “ID” – conjunto de energias que determina os desejos do sujeito – pelas características impulsivas.

   Quico, garoto que mora no apartamento 14 (perai, 14 também não é a quantidade de meses que seu madruga deve o aluguel??? falaremos disso maia a frente!), tem muitos brinquedos, adora causar inveja, é interesseiro e só compartilha algo com seus amigos se esses tem algo a oferecer. Quer estar sempre por cima e é comum o ver sair de sua casa sempre com a versão mais avançada de um brinquedo que Chaves está usando (lembrem-se desse fato, é importante mas só será explicado quando falarmos de Chaves) bem ao estilo “eu tenho e você não tem” . Não admite ser derrotado e até chega a negociar sua ascensão em troca de sanduiches de presunto. Quico sempre se prepara para realizar alguma ação colocando um pouco de saliva nos dedos e passando-as nas orelhas. Adora ganhar presentes de sua mãe e deseja que isso aconteça todos os dias.
Quico é, sem dúvida, a visão que o autor tinha das classes altas, a riqueza, que sempre adora esnobar da pobreza. Ele expressa muito bem isso, primeiro porque Quico é filho de Dona Florinda e isso é uma critica social pois, como já expliquei no post anterior, a mulher representa a Ordem ou a Lei, e Quico é filo dela, é o protegido. A riqueza (o capital se quiser chamar assim) age sempre por interesse, assim como o personagem, não admite perdas e negocia sempre uma forma para lucro. Analisando bem, o personagem também passa talvez um ensinamento com alusão que a riqueza depende de Planejamento “quico sempre se prepara para realizar alguma ação colocando um pouco de saliva nos dedos” e Pesquisa de mercado (ouvir o cliente) “e passando-as nas orelhas”. Ahh, eu já ia me esquecendo, é uma observação bem legal que o autor coloca também: todos lembram que sempre que Quico brinca com carrinhos ele faz questão de causar acidentes de trânsito fazendo até “trilha sonora” pra ação? Pois bem.. esse fato nem vou explicar, fica para reflexão [comentem]! :P

    Nhonho. Esse garoto é praticamente um personagem secundário pois não aparece com tanta freqüência como as outras crianças. É filho do Sr. Barriga. Muito aplicado no colégio mas não costuma se gabar por isso.
    Segundo a tradução de seu nome em espanhol “ñoño” significa “Inseguro/tímido/ingênuo e é exatamente isso que o personagem representa. Talvez até pelo fato de ele ser gordo é uma contribuição para a caracterização do personagem Nhonho. Porém encontro nele o contraponto de Quico: mesmo Nhonho sendo rico e inteligente (exatamente tudo que Quico quer) ele brinca com as outras crianças normalmente, sem querer aparecer. Nisso o autor mostra o outro lado da riqueza (a riqueza verdadeira) que é a humildade.

    Pópis é sobrinha de Dona Florinda, também é um tipo de personagem secundário que não aparece em todos os capítulos. Pópis é uma menina boba e briguenta. Normalmente ela não brinca com os outros para não se sujar, sempre esconde a “cola” da prova por debaixo da saia (sátira ao termo “debaixo dos panos” rs), ela sempre coloca a culpa dos acontecimentos ruins em sua boneca e quando sim lhe da umas palmadas (“Serafina que coisa feia, feia e feia”). Pópis se sente ameaçada sempre com poucas coisas e sempre é a primeira a acusar os outros (“eu vou contar tudo pra minha mãe” / “conta tudo pra sua mãe Quico”). Concluímos assim que Pópis é a representação do Egoísmo, ela não admite seus erros, mas é a primeira a atirar a pedra.

Mais uma vez, por conta da extensão e complexibilidade do assunto, estarei deixando o final para um próximo post! Clique no link abaixo e confira o final.

 
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12.3.11

Chaves: uma lição de vida - Parte 01

O Programa com o nome original “El Chavo del Ocho” ("O menino do oito" - guardem esse nome!), mais conhecido como  “Chaves” no Brasil, é uma série de televisão humorística de origem mexicana criada e estrelada por Roberto Gómez Bolaños, exibida no México entre 1970 á 1980 e no Brasil a partir de 1980.

Entendendo o Enredo:

A história gira em torno das aventuras de Chaves, um menino órfão humilde que mora dentro de um barril, e dos outros moradores de uma vila suburbana fictícia. Lá, ele deve conviver com os particulares moradores e vizinhos, com os quais sempre está envolvido em divertidas situações.

Mas por que a expressão “uma oculta lição de vida”?

Todos nós nos divertimos com o seriado, porém não se trata apenas de humor. Analisando: Por que retratar a vida de personagens “marginais” como: velhos, crianças, profissionais decadentes e malandros , ainda mais como personagem principal um menino órfão que passa fome e sequer tem um lar? Essa é a chave da mensagem que Bolaños tinha na cabeça: ele criou um cenário perfeito que retrata até hoje o cotidiano de muitos através de simbologias características, sociais e até numéricas.    
Analisando melhor os personagens notamos que todos nós nos identificamos com os aspectos da personalidade de alguns, ou talvez tenhamos até um pouco de todos. Vejamos:
Dona Florinda é uma viúva desgostosa da vida. Sabemos que ela é uma bela mulher, porém sempre se veste de forma ultrapassada, de um jeito que parece que se esqueceu de si mesma. Acha que é da alta sociedade e trata os vizinhos como “gentalha”, não perde a pose de granfina e sempre fala que um dia irá se mudar da vila. Ríspida, grosseira, age no grito e parte pra ignorância quando vê o filho choramingar sem saber a causa certa. É trabalhadora, e seu objetivo é manter a ORDEM.
      Dona Florinda é nada mais que o símbolo da Lei! Se você, leitor, não percebeu, releia novamente o parágrafo acima e compare com nosso regimento, não tem as mesmas características? A lei foi feita para proteger, para servir a todos, ser “bela”, entretanto como não é bem cuidada ou, quando seu “cabelo” demora muito tempo para ficar pronto, a lei – igual a dona Florinda – anda por ai “de Bobs”, é vista como “feia” e assim fica mal humorada e grosseira. Porém há controvérsia: quando Florinda vê o Prof. Girafales sua personalidade muda. Por que? Falaremos disso mais adiante.      


Seu Madruga é um homem simples, normalmente aparece vestido com sua básica camiseta preta, calça jeans surrada, tênis e seu chapéu. Nos primeiros capítulos originais era chamado de “Don Ramon”, pois é interpretado por Ramon Valdes  (da pra lembrar a famosa banda Ramones, reparem a semelhança nos trajes e características – : p.). Madruga é o típico cidadão que não concluiu a escola e tem pouca instrução.  Vive se queixando de que não possui oportunidades na vida, porém ele não procura emprego (foge disso mais que diabo foge da cruz), fica em casa vadiando e deixando passar as oportunidades que a vida lhe oferece. Quer mais que tudo na vida viver bem sem precisar trabalhar. Ao contrário de seu nome “Madruga” (que é até uma sátira o velho ditado “Deus ajuda quem cedo madruga”) ele gosta de acordar tarde. Vive com o aluguel atrasado e foge ou da desculpas ao cobrador. Apanha praticamente todos os dias de Dona Florinda (mesmo quando não tem culpa) e acaba se enraivecendo quando, além dos tapas, ainda é humilhado. É seduzido pelos dotes culinários de Dona Clotilde (bruxa do 71) porém foge da véia mais do que culpado quando vê a polícia. Tem um amor secreto pela vizinha Glória, tia de Paty.
        Seu Madruga representa a massa, o povão, mais especificadamente a parcela do povo que não cumpre com suas obrigações de cidadão: o devedor (que é uma grande parcela, rs)... Quem de nós não quer ganhar a vida sem ter que trabalhar?? ele representa também a “
Teoria X” desenvolvida por Douglas McGregor que diz que “o ser humano tem repulsa natural ao trabalho e evitará sempre que puder, assumir responsabilidades”- Está ai a chave da mensagem [oculta] moral deste personagem. Se pensarmos bem, Seu Madruga é o cara que não quer trabalhar, mas é o que mais tem trabalho na vila, ele já foi toureiro, lutador de boxe, sapateiro, carpinteiro, fotógrafo, entregador, vendedor, cabeleireiro, treinador, pedreiro, pintor, entre outras. E mesmo que sempre querendo dar lições de moral nas crianças, daquelas do tipo “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” o autor coloca em Seu Madruga a idéia de um exemplo (ou mau exemplo) para Chaves, posso dizer talvez um dos caminhos que ele pode seguir na vida,  visto que muitas vezes Madruga vê Chaves como um reflexo de sua infância e Chaves vê em Madruga a imagem de um pai.
      Assim como na vida real (novamente pensando no personagem como representante do povão) Madrugra que apanha de Florinda - que como já analisei acima representa a Lei - é como as massas prejudicadas [apanhando] das legislações vigentes que não dão nem tempo de defesa, principalmente a parcela do povo que possui débitos, que são mal vistos em todo local onde requer crédito, é mau vista pela lei sendo considerado “gentalha” e até é mau vista pela sua forma de vestir (quem é que nunca foi "discriminado' em uma loja ou shopping por estar vestido de forma simples?). Porém são pessoas que carregam tradição moral muito bonita, de educação, história, por isso sempre é citado a “Vovózinha” – “Seu madruga, sua vovozinha....?”, “E da próxima vez vá dar beliscões na sua vó”, é também uma chave simbologia social filosófica moralistica onde representa que o povo deve olhar para o seu passado, até mesmo a história de outras civilizações, lembrando de seu valor e para aprender com os erros. Como contei acima, uma  das fraquezas de Madruga é o estômago, bem clássico, pensei em dar um exemplo complexo da época da criação do seriado, mas acho que se eu lembrar das cestas básicas que são distribuídas em épocas de eleição todos já entenderam o recado.. rsrs. Ahh, todos lembram que Seu Madruga tem um amor pela vizinha “Glória” (o nome não é mera coincidência) tia de “Paty”, a mulher - como o nome já diz - representa grandeza, status, beleza, acima da riqueza, é tudo que ele sempre desejou, seu sonho de consumo.   

bom pessoal, para evitar uma leitura cansativa e para facilitar o entendimento da história que é complexa, estarei dividindo a análise em partes, para acompanhar clique no link abaixo e leia o próximo post.          
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Por Felipe Ramos

9.3.11

O Big Brother está te observando!

O reality show "Big Brother", desenvolvido pelo holandês John de Mol é, ainda hoje, uma febre em vários lugares no mundo, inclusive no Brasil. Muitos já sabem que o termo  "big brother" (grande irmão) surgiu da idéia principal do livro "1984" de George Orwell. Esse será um exemplo perfeito sobre o que chamamos de Mídia Secreta, vejamos:  
             "Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força."

 Esse era o lema que o partido do Big Brother usava para controlar o povo (familiar não é? rs). No livro ou no filme conta-se a história de Winston, um apagado funcionário do Ministério da Verdade da Oceania e de como ele parte da indiferença perante a sociedade totalitária em que vive, passa à revolta, levado pelo amor. O Estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua e pelos ministérios:
O ministério da Verdade que cuidade da mentira na falsificação de documentos, literatura e informação; O ministério da Paz que cuidava da guerra;
O ministério da Fartura que cuidava da fome (trabalhava junto com o ministerio da verdade que divulgava índices de produção exagerados quando na verdade todos estavam sem comer);
O ministério do Amor que era responsável pela espionagem, controle do povo e promoção do ódio atravez de julgamentos, torturas e lavagens cerebrais.
Os cidadãos eram manipulados o tempo todo, não podiam pensar, se expressar ou ter sentimentos humanos.. Eram instaladas câmeras em suas residências e o Grande Irmão controlava tudo.
Diariamente, os cidadãos deveriam parar o trabalho (ou oque estivessem fazendo) para adorar a figura do Grande Irmão que passava na "Teletela". A idéia de reality show foi pela primeira vez apresentada no filme Show de Truman.

Analisando:
    Em uma visão menor o "Grande Irmão (big brother)"  na verdade, é o apresentador do programa. Ele é o único contato que os participantes tem com o mundo fora da casa. Além disso, como por exemplo na versão brasileira com Pedro Bial, o apresentador também assume a função de grande irmão ao instruir psicologicamente os participantes. É curioso notar que como no livro "1984", quando os participantes do  programa BBB veem a imagem do apresentador na tela, esses o enaltecem da mesma forma que a população da história da faz com o Grande Irmão, personagem do livro, quando esse aparece na teletela. 
    Claudio Silva, brasileiro, filmmaker que participou na criação do Big Brother Holandês, em 1999, define o formato Big Brother atual como um comercial 24 horas interminável (assim como no livro). Os telespectadores votam por telefone, pela internet e via SMS para eliminar os membros não pela atratividade e interatividade do show mas pelo tédio de seus personagens.

Mas é só isso??

Nãooo!!! No livro o autor expõe uma teoria: o objetivo do Grande Irmão é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A manipulação da informação serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos. 
Coincidência ou não, o controle dos cidadãos é o que nossos governantes mais querem, o Big Brother então, hoje, juntamente com outros programas, novelas e comerciais, funciona como um controle de pensamento e tendencias de nossa geração. Ocultamente vivemos sob o domínio dos mesmos ministérios citados acima. Quem é que não viu alguem usando exatamente a roupa que a participante do programa usou naquela semana? As conversas na escola, serviço e espaços públicos são geralmente voltadas a que? e quanto as revistas de fofoca e fotografia não ganham em cima disso? pensem "IGNORÂNCIA É FORÇA" pra quem?...

por Felipe Ramos 

6.3.11

Midia secreta em Pica-Pau

Quero começar com a análise do mais clássico de todos os desenhos animados exibidos no Brasil desde a década de 60, o Pica-Pau. O Pica-Pau foi o primeiro desenho animado a ser exibido na TV brasileira, na extinta TV Tupi.
Vamos primeiro entender a história:
O desenho foi criado por Walter Lantz em 1939, com a idéia principal voltada para o personagem Andy Panda, porém Lantz queria um personagem que o tornasse uma estrela completa então em 1940 ele e sua equipe criaram um adversário figura para o Panda lidar: um pica-pau.  A primeira versão era muito mais perversa e psicótica que as posteriores (refeitas nos anos 45/50/60/90), é a que chamamos habitualmente de Picapau louco. Em 1944 foi introduzida outra importância na carreira do Pica-Pau: seu rival de longo tempo, Leôncio (Wally Walrus), no episódio clássico "Praia de Noz" (The Beach Nut). As versões posteriores eram mais comportadas, apesar das peripécias malucas do nosso amigo emplumado. Frequentemente haviam outros personagens na trama como Meany Ranheta,  Zé Jacaré, Zeca Urubu entre outros.
Vamos agora a uma breve análise:
1.ª parte: o Panda.
 Começando pela arte gráfica, assim como em outros muitos desenhos, fica obvio que Lantz faz uma apologia ao Estados Unidos, colocando no personagem as cores da bandeira (azul, vermelho e branco).. Vimos na histórinha ali em cima (fontes: site oficial do pica-pau no brasil e wikipédia) que, coincidência ou não, o desenho foi lançado no mesmo ano que emergia uma [segunda] guerra mundial, tal qual os EUA participava. O personagem "Andy Panda" - que antes da criação do pica-pau era o protagonista, passa a ser prejudicado pelo passarinho que aparece em um capitulo de estréia entitulado "tok-tok" fazendo buracos na casa de Andy Panda. Interessante que sempre que lembramos de Ursos pandas (os gigantes ou os pequenos) lembramos dos paises asiaticos, principalmente china e japão, pois é onde eles vivem (ou pelo menos vivam até recentes estudos que apontam extinção) não é? Pois bem, novamente coincidencia ou não (rs), a China, o Japão e outros paises asiáticos estavam tambem envolvidos na guerra, e os EUA estava "fazendo buracos no telhado" desses países.
2.ª parte: Leôncio.
Foi o segundo personagem introduzido ao desenho, notem a data, isso é muito importante, nesse tempo estamos vivendo o final da segunda guerra e os EUA começa uma disputa com a URSS (união soviética) fato que sucedeu a guerra fria. Leôncio tem todas as características dos países soviéticos, começando pelo sotaque, pelo animal com que é representado ("leão marinho" ou "morsa", tipico de países gelados) e ainda [piração minha ou não, rs] o seu simbólico bigodinho que se parece muito com o de Stalin (confiram) que foi uma das principais figuras soviéticas da época e idealizador da guerra fria.
3.ª parte: outros personagens - Meany Ranheta,  Zé Jacaré, Zeca Urubu:
Ao longo do tempo foram aparecendo mais personagens no desenho, "Zeca Urubu", dentre os descritos acima, foi o primeiro a aparecer. É um tipico malandro, vigarista que  quer levar vantagem em tudo... normalmente em suas aparições o Urubu é um viajante ou comerciante que não tem moradia fixa (inclusive em capitulos como os do velho oeste , Zeca é um tipo de andarilho que corre 4 cantos do mundo buscando se dar bem). Com um olhar sociológio da época [e até o de hoje] conforme descrição acima este personagem representa nada mais que a visão dos EUA sobre os países Sub-desenvolvidos, são "urubus" que querem tirar sua riqueza. Até hoje vemos pessoas que são de originárias de países pobres ir trabalhar ou estudar nos EUA para conseguir "vencer na vida" e depois retornar (alguem lembrou da novela "América", kkkkk) Ahh, sem falar que Zeca Urubu parece ser adepto da famosa"Lei de Gerson" introduzida na cultura brasileira (se bem que o próprio pica-pau tem muita malandragem também). Já o Zé Jacaré é uma associação interna, muito parecido com a idéia do Zeca Urubu, é um Jacaré preguiçoso que vive atraz de comida e sempre passa necessidade pois depende da natureza para sobreviver, porém ele satiriza o próprio "estadounidense". Zé representa os "caipiras" dos EUA (reparem no sotaque - que tambem existe na dublagem americana, e tambem na chave simbológica do clássico episódio "vodoo" que era praticado, assim como no brasil, pelos antigos "benzer" etc), aqueles que decidiram viver ainda "excluidos" da sociedade, "viver no pantano". No desenho ele mora em Everglades, uma região norte-americana localizada na Flórida, é um tipo de reserva biológica intitulado "parque nacional" em 1947 e foi instituído como patrimonio mundial da UNESCO em 1979. Assim analisando as datas podemos atribuir tambem a Zé Jacaré uma peça politica de propaganda do parque nacional, visto para ser parque era necessário turistas e na época, não digo os caçadores, mas o povo em geral tinha medo de ir ao local por conta dos jacarés e crocodilos que vivem na região, Pica pau sempre derrotava o animal fazendo uma alusão ele não ofereçe perigo.
Não esqueci da Meany Ranheta, suas principais caracteristíscas são o nariz comprido, magrela, alta e sua personalidade ranzinza. Ela também é sempre prejudicada pelo Pica-Pau. Sua primeira aparição foi no episódio "Calling Dr. Woodpecker" o clássico do Dr. "Hans Chucrutes" (primeira chave simbológica), e depois nos clássicos que geralmente interpretava personagens de contos de fadas ou filmes, como Chapéuzinho vermelho, João e o Pé de Feijão e Jane Calamidade. Também atuou como arqueóloga e muitas vezes dona da pensão onde Pica-pau se hospedava. Sendo assim da-se a enteder que Meany representa a Europa (se pensarmos na "pensão"), mas especificadamente a Alemanha - visto pelo primeiro capitulo que aparece como ajudante do doutor "Hans Chucrutes" (nome alemão) e tambem em sua atuação nos episódios de conto de fadas alemães (irmãos Grimm). A Alemanhã foi rival dos EUA por muito tempo desde a época das guerras.
Parte 4 - considerações gerais:
01) Assim como Zé jacaré, existem outros personagens como os indios e o coiote bastante presentes, que representam a população "caipira" ou "antiga" fraca.
02) O autor,  Lentz, afirma que a inspiração para a criação do personagem se deu na sua lua de mel onde um passaro pica-pau furou o telhado da casa de madeira onde estava hospedado, porém isso é apenas um conto Hollyoodiano pois o personagem foi criado, como falei no começo, em meados de 1939 e 1940, e Lentz se casou apenas em 1941. (humm, nesse mato tem coelho!)


Bom, por hoje é só pessoal! esperam que reflitam sobre e comentem também sobre suas teorias.
Não se esqueçam de sempre ver as coisas com outros olhos.
Felipe Ramos